42 DIAS & 41 NOITES
ONZE DE ONZE/ DIA UM/ SEXTA
A consciência me trai, pois coloca a preto no branco que viajaste. O dia pareceu normal, apesar de salpicado de algumas marcas da tua viagem terem perseguido meus ouvidos.
Prefiro pensar que hoje seja um dia em que, simplesmente, não nos vimos!
“Te imagino
A meio caminho,
Te busco na saudade
E ninguém descobre
O segredo do meu silêncio…”
TREZE DE ONZE/ DIA TRÊS/ DOMINGO
Sinto-me frágil, minha metade distante…
QUATORZE DE ONZE/ DIA QUATRO/ SEGUNDA
Inicio o dia com uma espécie de depressão por não ter ouvido tua chamada devido ao sono. Ao mesmo tempo que é um princípio que me sossega porque sinto uma vibração positiva sobre quanta falta me fazes. É claro que os dias ainda não são numerosos, tecnicamente…— Quero definição de Saudade e de Amor.
— Quero definição de “EU distante de TI”, aliás, definição de “TU distante de MIM”.
Me animo pouco com o ‘azar’ que me persegue. Pela segunda vez perco tua chamada e desta porque estava no banho. E não suporto a terceira por ter estado bem distante do telemóvel.
O meu coração aperta de ânsia e te imagino lançando fogos sobre mim [rio-me]. Recordo-me de teres ‘broncado’ comigo ontem (ao telefone) por eu ter estado no Estúdio até muito tarde no Sábado [rio-me]. Estaria na altura de não mais desconfiares tanto de mim!
São 16h55 – me sinto tristemente muito só, a solidão é minha rainha. Vou alimentando uma utópica esperança de poder ouvir-te ainda hoje e digo a mim mesmo: “Eu amo esta miúda, pá!”
QUINZE DE ONZE/ DIA CINCO/ TERÇA
A Lua está aparentemente cheia (será cheia amanhã) e meus ‘tomates’ andam cheios… (desculpa a perversidade).
Estou meio alegre por teres falado comigo, aliás, por eu ter ouvido a tua voz.
O tempo que passou é vasto e a saudade é ampla. Sei que mais tarde voltarás… e eu te espero; faminto de tuas conversas, teus beijos…
DEZOITO DE ONZE/ DIA OITO/ SEXTA
00h26 – Olho para o caderno e escrevo isto!...
Oito minutos depois, reinicio a escrita: Estou com maior saudade que já sentira em toda tua e minha história [estarei enganado, porque experimentara mais que esta há tempos quando de um motivo que não quero referir]
Meu desejo tornou-se num sonho. Antes de pegar no sono desejei ver-te nos sonhos que isso me consolaria, pois te veria numa ambiência interactiva. E o máximo, se não o pior, é que o sonho foi ‘rosa’ e esta qualidade intensifica o meu ‘problema’.
Gostei de ter sonhado contigo, dado que é uma raridade. Mas o que o Amor e a Saudade e o Sentido Solitário não são capazes de fazer???
Estou ouvindo música suave, deitado de costas; abro os olhos e vejo 07h13 e volto a fechá-los afim de imaginar o teu abraço forte, o teu aroma, a tua pele, o teu olhar, o teu gemido… [paro de imaginar].
DEZANOVE DE ONZE/ DIA NOVE/ SÁBADO
Posso não estar sóbrio, mas sobre ti não dispenso pensamento. São 00h59 e sei que ontem tive a graça de te ouvir.Olho minha face ao espelho e vejo 4 ‘biologias’ distribuídas pelo rosto. Engulo o facto.
A noite é-me cruel; uma vez que precipitações vão ocorrendo, imprimindo no meu ser um sentimento de nostalgia. Admito que por mais que eu crie distracções, a verdade é mais forte que qualquer tentativa de contorná-la. E já estou cansado de sentir saudades tuas… (porquê não voltas logo?!) Sem ti, um dia parece um mês.
Devo estar a aluar. Um minuto para o décimo dia de extrema saudade, consola-me o sorriso na fotografia, mesmo sabendo que não és tu a sorrir.
VINTE E UM DE ONZE/ DIA ONZE/ SEGUNDA
(Escritura feita no telemóvel).
Toco o rosto, sinto um relevo que me aborrece (são ‘biologias’).
As saudades são tantas que mesmo a distracção não consola. É uma noite chata. Não há electricidade. E minha necessidade de escrever é enorme. Ao mesmo tempo que não desejo estar a pensar tanto em ti porque dói. (porquê não voltas logo?!)
Não esperava de mim tanta susceptibilidade concernente a tua ausência.
VINTE E SEIS DE ONZE/ DIA DEZASSEIS/ SÁBADO
Ontem revi a letra que traduz um pedaço da nossa história, aliás, o início do princípio do nosso romance. Senti um espinho no peito. Sorri, implicitamente, fustigado pela dor que a saudade impõe…
Tresantontem, quando falamos; o teu tom ao dizer « amo-te muito, ouviu?!» foi como um relâmpago, a surpresa não foi menor. (Digo secretamente: amor é de loucos!)
VINTE E OITO DE ONZE/ DIA DEZOITO/ SEGUNDA
Se eu conseguisse traduzir o « pensar em ti», escreveria todos os dias. Mas certas vezes, o pensamento não passa de mero pensamento gerado na mente, da mente para a mente.
Perguntaria se pensas tanto em mim quanto eu penso em ti!!!
Duas semanas mais quatro dias que te possuo mentalmente apenas. ( Confesso-te que não estou gostando da experiência).
VINTE E NOVE DE ONZE/ DIA DEZANOVE/ TERÇA
A saudade aperta. As distracções não afogam o pensamento. E o inevitável é o dar uma olhadela na tua imagem retratada no papel fotográfico.As acções da mente são mais fortes que qualquer tentativa de fingir…
TRÊS DE DOZE/ DIA VINTE E TRÊS/ SÁBADO
Estou feliz por ter falado contigo. A verdade é que o amor que sinto por ti faz de mim um homem realizado.
Durante a tarde perguntava a mim próprio – o que terás tu feito comigo para que eu te ame tanto assim? – e recordei-me de um dia que te fiz esta pergunta e tu retribuíste com a mesma. Reflecti! Reflecti! Reflecti!
Cheguei a conclusão que não devo mais fazer-me esta pergunta porque, na reflexão, descobrira um sentido drástico: é como se tu não merecesses o AMOR que por ti de mim dimana.
Olho para as crónicas e percebo a contagem dos dias que vão passando. É como um prisioneiro a contra os dias de sua permanência na degradação…
Vou ouvindo a 'hora das Cigarras' e bebendo vinho com Mainha (minha sobrinha), sentados sobre a cama, ela também escrevendo, aliás, rabiscando.
A revelia de mim próprio, espreito a tua imagem na fotografia. Alicio-me com uma esperança de, brevemente, poder ter-te de perto… ( tu alimentaste essa esperança). A olhadela à foto tornou-se num culto que cumpro religiosamente.
SEIS DE DOZE/ DIA VINTE E SEIS/ TERÇA
Está um final de tarde muito fresco. E ardente é o meu desejo de estar contigo. O pensamento é intenso que até parece que não o controlo, mas ele a mim. Quem me dera sonhar contigo, pois esse facto amenizaria a minha ânsia. A saudade que já sinto é voraz e me acaba. ( Porquê não voltas logo?)
Gostaria de saber se sentes tanta falta de mim o quanto eu sinto de ti, se me tens desejado… mas não perguntarei!
As distracções que têm atenuado o meu pensar, hoje não me ocorrem. Estou tão focalizado em ti ao ponto de achar que o meu escrito até este período seja um “pranto”…[Vou à porta espairecer, olhar o que se passará na rua!]
Não cativou ver pessoas que não me dizem respeito. Prefiro o meu hibernáculo que me induz a explorar-te com a mente.
O difícil estabelecimento de comunicação contigo mastiga-me… ouvir-te faria bem ( tu sabes disso). A imensidão desta saudade não é o fim, mas me acaba!
NOVE DE DOZE/ DIA VINTE E NOVE/ SEXTA
48 horas para completar um mês em que te tenho longe de mim. Em que o hábito de te ter distante não nasce. A saudade é diária e incontornável.Pela madrugada, tive um sonho sobre a tua volta.
— Estarás aviando as malas?
Meu subconsciente também sabe que tu és que mais falta me faz desde o “dia um” da tua viagem.
ONZE DE DOZE/ DIA TRINTA E UM/ DOMINGO
Vezes sem conta, ao dia, realize o culto da fotografia – o que alimenta a crença de poder ver-te, brevemente. Tenho olhado para esse papel, fixamente, como se eu pudesse ouvir-te a dizer-me algo para além do teu sorriso constante, aliás, sorriso permanente.
TREZE DE DOZE/ DIA TRINTA E TRÊS/ TERÇA
Eram cerca de 16h e alguns minutos quando, depois do banho, enxugava a água do corpo, exactamente do rosto; um flash de memória trouxe-me tu para a porta do quarto-de-banho. Quando retirei a toalha dos olhos, pareceu-me que te veria ali no limiar como fazias nos dias em que te solicitava para me lavares.
Não entendo como tu és o que quero se me considero não idealista…
Olho para a Lua que está uma crescente cheia, numa noite límpida e bela. Consulto ao calendário quando é suposto ocorrer a Lua cheia – será no dia 15. Uff! Um ciclo lunar vai completar-se passando eu sem ti. O “uff!” é pelo cansaço de espera, mas vou esperando, vou esperando, vou esperando… Espero pelo que tu és…
Existe uma música que tenho ouvido com muita frequência e repetidamente quando estou pensando muito em ti. E tu terás que ouvi-la que eu traduzirei os trechos coerentes à situação que me faz escrever estas crónicas.
Tu és musa, peço-te poesia ( sê poesia)!
DEZOITO DE DOZE/ DIA TRINTA E OITO/ DOMINGO
Poesia
( sem título)
Abriste
um símbolo mítico
só teu e meu,
um
até segredo para nós
— tu e eu.
Calei
simplesmente caleio desejo desgostoso
imposto pela aurora,
E… por oracalo o vinil
retiro o braço
e escuto o silêncio.
Mas o piano imaginário
corta o silêncio
com Sol-semicolcheia
a pianíssimo, de levereabre-se o mítico.
VINTE DE DOZE/ DIA QUARENTA/ TERÇA
Apetece-me traduzir a sensação que tenho comigo. Mas não sei expô-la…Não sei se estou concentrado no pensamento sobre ti. Não sei se estou pensando concentrado em ti (se houver alguma lógica no que escrevi, será bom)!
Hoje, não escreverei nada mais!!!
VINTE E DOIS DE DOZE/ DIA QUARENTA E DOIS/ QUINTA
A inspiração anda distante quanto tu. Hoje escrevo, simplesmente, porque quero referir que tive um sonho em que acabavas de chegar.( Sem argumentos).
E chegaste, realmente!
2005

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